Epstein “claramente tinha conexões com a inteligência dos EUA e de ‘israel'”, diz vice-presidente dos EUA

Declarações de JD Vance, a segunda maior autoridade dos Estados Unidos, corroboram as evidências de que o criminoso sexual sionista era um agente de "israel"

17/07/2026

Surgem cada vez mais evidências das relações de Epstein com o chamado "estado" de "israel". (Ilustração: The Times)

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou na última quarta-feira (15) que o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein mantinha ligações com o “Estado profundo israelense”, bem como com os “mais altos níveis da inteligência americana”.

Questionado no podcast The Joe Rogan Experience sobre o fato de que a maioria das pessoas acredita que Epstein tinha ligação com a agência de inteligência israelense Mossad, Vance respondeu: “Sim, Mossad ou CIA ou algum outro Estado profundo, seja nos Estados Unidos, em ‘israel’ ou em outro país.”

“Ele claramente tinha conexões com os escalões superiores, os mais altos níveis da inteligência americana. Ele claramente tinha conexões com os mais altos níveis da inteligência israelense”, afirmou.

Vance acrescentou que considera o caso Epstein “interessante”. Por um lado, “até onde sei”, disse, “o primeiro-ministro (israelense) Netanyahu” “não é uma pessoa particularmente popular nos Estados Unidos neste momento”. Por outro, “Epstein parecia estar ligado a elementos do Estado profundo israelense que eram de centro-esquerda”.

“Não era como se ele tivesse uma superconexão com a direita da política israelense. Nos Estados Unidos, ele tinha conexões em todos os setores. Tinha amigos republicanos, tinha amigos democratas. Ele tinha conexões muito mais profundas com a centro-esquerda israelense do que com a direita”, analisou Vance.

Sobre a condução do caso Epstein pelo governo, Vance declarou: “Se as pessoas quiserem dizer que lidamos mal com a divulgação do caso Epstein, [que somos] culpados, [então reconheço que ] nós realmente lidamos mal com isso, especialmente na comunicação.”

“Nós definitivamente estragamos a comunicação sobre os arquivos Epstein”, afirmou.

Questionado sobre o que deveria ter sido feito de forma diferente, respondeu: “Acho que deveríamos simplesmente ter divulgado tudo desde o início. Obviamente, leva algum tempo para revisar o material, localizar os documentos, fazer as tarjas necessárias quando há vítimas envolvidas e assim por diante. Mas deveríamos ter feito isso o mais rápido possível.”

As alegações sobre possíveis vínculos de Epstein com serviços de inteligência já haviam sido levantadas anteriormente por outras figuras públicas.

Em fevereiro, o jornalista americano Tucker Carlson afirmou que Epstein mantinha relações com o Mossad, a CIA e o MI6.

“Ele não representa nenhum governo. Claramente trabalha com o Mossad; claramente trabalha com a CIA; e claramente com a inteligência britânica, o MI6, sem trabalhar exclusivamente para nenhum dos três”, declarou Carlson.

Há incontáveis evidências de que o criminoso sexual e financeiro, que financiava o lobby sionista internacional, trabalhava em estreito contato com a espionagem israelense.

Jeffrey Epstein era um agente do regime israelense, mostram documentos

O portal Drop Site News revelou, também no início do ano, que o governo de “israel”, por meio de seus diplomatas acreditados nos Estados Unidos e na ONU, foi responsável pelo sistema de vigilância para Epstein em seu apartamento em Manhattan, durante dois anos a partir de 2016, que era frequentado ativamente pelo ex-primeiro-ministro Ehud Barak. Outros apartamentos no mesmo prédio eram utilizados para os crimes sexuais contra modelos menores de idade.

“Eles podem neutralizar o sistema à distância, antes que você precise que alguém entre no apartamento. A única coisa a fazer é ligar para Rafi no consulado e informá-lo quem e quando está entrando”, escreveu em janeiro de 2016 a esposa de Barak, Nili Priell, para uma assistente de Epstein.

A correspondência também indicava que o trabalho realizado pelo governo israelense precisava da aprovação pessoal de Epstein. “Jeffrey diz que não se importa com buracos nas paredes e que está tudo bem!”, respondeu a assistente.

O assessor de longa data de Barak, Yoni Koren, que morreu em 2023, foi outro hóspede frequente do apartamento de Epstein em Manhattan. O ex-oficial de inteligência militar hospedou-se no apartamento em várias ocasiões — inclusive em 2013, quando ainda atuava ativamente como “chefe de gabinete” do Ministério da “defesa” sionista, durante o período em que Barak era ministro de Benjamin Netanyahu.

Mas a comunidade de inteligência dos Estados Unidos não acredita que as relações de Epstein com os serviços secretos israelenses sejam apenas essas. Para além das relações empresariais com numerosas companhias de membros da inteligência, o criminoso financeiro e sexual também forneceu pessoalmente serviços de espionagem a “israel”.

Um informante infiltrado do FBI “ficou convencido” de que Epstein era um espião israelense, segundo um documento do escritório do FBI em Los Angeles de 2020 que está entre os milhões de páginas divulgadas pelo Departamento de Justiça dos EUA.

O registro governamental relata que o informante, conhecido na linguagem oficial como fonte humana confidencial (CHS, na sigla em inglês), recordou que o advogado de Epstein, Alan Dershowitz, disse ao então procurador dos Estados Unidos para o Distrito Sul da Flórida, Alexander Acosta, “que Epstein pertencia tanto aos serviços de inteligência dos EUA quanto a serviços aliados”.

“A CHS compartilhou ligações telefônicas entre Dershowitz e Epstein, durante as quais ele/ela tomou notas. Após essas ligações, o Mossad então ligava para Dershowitz para fazer um debriefing [colher informações]. Epstein era próximo do ex-primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, e foi treinado como espião sob sua orientação”, afirma o documento.

A rede de Dershowitz, segundo a fonte, incluía “muitos alunos [de Harvard] de famílias ricas”. Entre os citados estavam Jared Kushner, genro e enviado de Trump, e seu irmão, Josh Kushner, ambos descritos no memorando como ex-alunos.

Observando que Barak “acreditava que Netanyahu era um criminoso”, o texto diz que o informante “ficou convencido de que Epstein era um agente do Mossad cooptado”, em meio a rivalidades regionais envolvendo o regime.

Corroborando essas afirmações, estão as alegações do ex-oficial de inteligência israelense Ari Ben-Menashe, que em entrevistas e livros afirmou que Epstein e sua associada Ghislaine Maxwell operavam para o Mossad desde a década de 1980, utilizando chantagem em operações que lembrariam aquelas supostamente conduzidas pelo pai de Ghislaine, Robert Maxwell — um magnata da mídia amplamente apontado como ativo do Mossad até sua morte misteriosa, em 1991.

O próprio Epstein parecia suspeitar que o Mossad teve um papel na morte de Maxwell. Um e-mail enviado por Epstein em 2018 tinha como assunto “ele faleceu”, referindo-se a Maxwell. Na mensagem, Epstein afirmou que Maxwell havia ameaçado o serviço de inteligência israelense, escrevendo que “a menos que eles [o Mossad] lhe dessem 400 milhões de libras para salvar seu império em ruínas, ele exporia tudo o que havia feito por eles”.

Epstein também alegou que Maxwell atuava como um agente informal, coletando informações sobre os EUA, o Reino Unido e a União Soviética.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou recentemente mais de 3 milhões de páginas, 2.000 vídeos e 180 mil imagens em janeiro, sob a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein (Epstein Files Transparency Act), sancionada em novembro do ano passado.

Epstein foi encontrado morto em sua cela em uma prisão de Nova York em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual. Ele se declarou culpado em um tribunal do estado da Flórida e foi condenado em 2008 por aliciamento de uma menor para prostituição, mas críticos classificam a condenação relativamente branda como um “acordo privilegiado”.

As vítimas de Epstein alegam que ele operava uma ampla rede de tráfico sexual utilizada por membros da elite econômica e política.

* Fepal, com Anadolu e RT.

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