Igreja Presbiteriana dos EUA reconhece genocídio em Gaza e convoca boicote a “israel”

Assembleia Geral aprovou por maior esmagadora o reconhecimento do Holocausto Palestino, a pressão sobre as autoridades dos EUA e o desinvestimento na máquina de extermínio sionista

06/07/2026

Rev. Dr. Fahed Abu Akel, palestino-americano e ex-moderador da Igreja Presbiteriana que sobreviveu à “Nakba” de 1948. (Foto: Democracy Now/Reprodução)

A maior denominação presbiteriana dos Estados Unidos votou no dia 30 de junho pelo reconhecimento do genocídio em Gaza e pela imposição de um embargo de armas e do desinvestimento em “israel”, somando-se a outra importante votação de desinvestimento realizada no mesmo dia.

A Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana (EUA), também conhecida como PCUSA, votou pela adoção oficial de uma resolução que fará com que a instituição identifique a carnificina de “israel” em Gaza como um genocídio, pressione o Congresso dos EUA por um embargo de armas contra a entidade sionista e incentive seus membros a boicotar produtos israelenses que contribuam para o extermínio de palestinos.

A votação foi aprovada por 454 votos favoráveis contra apenas 15 contrários.

“As votações esmagadoras que nossa igreja realizou esta semana… sinalizam uma grande mudança na opinião pública sobre a Palestina”, disse Bob Ross, membro do Comitê Diretivo da Rede de Justiça para a Palestina (PJN) da Igreja Presbiteriana, ao The New Arab.

Ross observa que os presbiterianos vêm de todo o espectro político e estão presentes em todos os cantos dos Estados Unidos, tornando a denominação politicamente e geograficamente diversa.

“A Assembleia Geral, que reflete essa diversidade, falou com uma voz unificada contra o genocídio e em favor de medidas que esperamos que contribuam para a libertação da Palestina”, acrescentou Ross.

A reverenda Addie Domske declarou ao The New Arab:

“Embora muitos presbiterianos individualmente venham chamando isso de genocídio desde o início, a importância de a assembleia mais ampla se unir para nomear claramente o que está acontecendo com os palestinos, tanto em Gaza quanto na Cisjordânia, permite que nossa igreja coletiva participe de forma mais eficaz do movimento mais amplo pela libertação palestina, especialmente do movimento BDS.”

Os delegados também votaram a favor de uma resolução para endossar Kairos Palestina II: Um Momento de Verdade: Fé em um Tempo de Genocídio, uma declaração de novembro de 2025 da comunidade cristã palestina, que pede a intensificação dos esforços internacionais de boicote, desinvestimento e sanções contra “israel”. A votação foi de 447 a 21.

“Temos permanecido em silêncio diante da destruição da maioria das escolas, universidades, hospitais, mesquitas e igrejas — vocês sabem, uma dessas igrejas era ortodoxa, católica e também batista —, tudo isso realizado com armas e dólares fabricados por nós, americanos. Irmãos e irmãs em Cristo, em nome do Cristo vivo, não podemos permanecer em silêncio sobre esta questão por mais tempo”, declarou o Rev. Dr. Fahed Abu Akel, palestino-americano e ex-moderador da Igreja Presbiteriana que sobreviveu à “Nakba” de 1948, segundo o site Democracy Now.

Além disso, a Academia Americana de Religião aprovou no final de junho uma Resolução de Solidariedade com Gaza, condenando o governo israelense pelo massacre em Gaza e classificando-o como genocídio. A associação de estudiosos da religião, que reúne 6.000 membros em todo o mundo, referiu-se à agressão israelense, em sua Reunião Anual de Negócios em Atlanta, como um “escolasticídio”, ou um “esforço intencional para destruir de forma abrangente o sistema educacional palestino”. A moção foi aprovada por 98% dos membros, segundo um comunicado à imprensa.

A Associação Internacional de Pesquisadores do Genocídio, um grupo com 500 membros que inclui especialistas no Holocausto, acusou “israel” de genocídio no ano passado.

Desinvestimento da Palantir e da General Electric

A votação ocorreu após a Igreja ter votado por unanimidade, no mesmo dia, pelo desinvestimento da controversa empresa de tecnologia Palantir e da GE Aerospace, que fabrica motores para caças e helicópteros usados pelo exército israelense em sua guerra de extermínio em Gaza.

“Medidas econômicas, quando adotadas por uma massa crítica de grandes instituições, podem, ao longo do tempo, enfraquecer ‘israel’ a ponto de não ter outra escolha senão ceder aos desejos simples dos palestinos de viver livres da ocupação, da expropriação, do apartheid e do genocídio”, disse Ross ao The New Arab, observando que os parceiros palestinos da Igreja vêm pedindo o desinvestimento desde 2005.

“Continuaremos trabalhando em solidariedade com nossos parceiros na Palestina até que eles alcancem a libertação e o retorno.”

A Palantir Technologies, empresa de análise de dados e tecnologia que fornece inteligência artificial para forças armadas, utilizou suas tecnologias para apoiar as Forças de Defesa (sic.) de “israel” após 7 de outubro, segundo um relatório da ONU. A Al Jazeera informou que os softwares da Palantir foram fundamentais para interpretar dados usados na elaboração de “listas de alvos para eliminação” pelo exército israelense.

A General Electric fornece a “israel” motores e componentes de fabricação que têm sido utilizados em ofensivas militares consideradas crimes de guerra por organizações de direitos humanos, escreveu a PCUSA em sua análise. A PCUSA destaca o papel da GE Aerospace na agressão israelense, bem como sua participação na fabricação de motores usados pela Força Aérea Real Saudita na guerra contra o Iêmen.

“A Igreja Presbiteriana (EUA) escolheu corajosamente esta semana ficar ao lado de nossos irmãos palestinos e desinvestir de duas empresas que estão contribuindo de forma flagrante para o genocídio em Gaza e que se recusam a mudar seu comportamento”, disse o reverendo Ron Shive, copresidente da PJN, ao The New Arab.

A instituição também destacou a parceria da Palantir com o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE) na deportação de pessoas durante a repressão nacional contra migrantes, além de auxiliar os militares israelenses na determinação de quem deve ser morto em Gaza.

As empresas foram escolhidas devido ao seu papel em violações de direitos humanos nos Estados Unidos, Palestina, Índia, Egito, Iêmen e Arábia Saudita.

“Temos a responsabilidade, como pessoas de fé, de utilizar quaisquer poderes e privilégios que possuímos para tornar este mundo mais justo e pacífico para nossos irmãos e irmãs — incluindo os israelenses que estão sacrificando sua própria humanidade ao realizar este genocídio”, disse a reverenda Marietta Macy, copresidente da PJN, ao The New Arab.

A reverenda Macy, que chamou o desinvestimento de “um passo na direção certa”, afirmou que é necessário enviar uma mensagem ao governo dos EUA e às empresas americanas de que “não vamos nos submeter e permitir que transformem nosso país em um Estado de vigilância opressivo”.

“Espero que este desinvestimento inspire outras pessoas a agir e lembre aqueles que se sentem sozinhos como cristãos americanos de que nosso poder coletivo é mais forte do que imaginamos”, acrescentou a reverenda Macy.

A votação ocorre após dois anos de reuniões do comitê da PCUSA sobre Responsabilidade da Missão por Meio de Investimentos.

A PCUSA foi a primeira grande instituição do mundo a desinvestir de empresas que lucram com a ocupação israelense do território palestino, incluindo o desinvestimento da HP, Motorola e Caterpillar em 2014 e de títulos israelenses em 2024.

A instituição também declarou “israel” um Estado de apartheid em 2022.

* Fepal, com The New Arab, Religion News Service e Democracy Now.

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