Netanyahu foi avisado pelos Emirados Árabes que ocorreria o 7 de outubro, revela investigação
Em setembro de 2023, o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed, ligou para Netanyahu para transmitir o alerta. Netanyahu não fez nada, revela uma extensa investigação realizada para um novo livro a ser publicado em "israel".
O presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed, e Benjamin Netanyahu. Ilustração: Haaretz
[Nota do editor: o artigo foi publicado por jornalistas e pesquisadores israelenses em um jornal israelense, por isso a utilização de termos e de versões de “israel”, como a consideração de que a operação de 7 de outubro foi um “ataque” do Hamas, e não uma retaliação legítima da resistência palestina contra décadas de genocídio e asfixia por parte da ocupação sionista.]
Por Shlomi Eldar e Ruth Yuval*
Eram os últimos dias de setembro de 2023. Ataques terroristas inflamavam a Cisjordânia, multidões de habitantes de Gaza protestavam regularmente junto à cerca da fronteira e o país estava abalado pelo conflito interno em torno das leis da reforma judicial. Qualquer pessoa que observasse os acontecimentos com clareza podia perceber que uma escalada se escondia atrás de cada esquina.
O presidente dos Emirados Árabes Unidos, xeique Mohamed bin Zayed — conhecido como MBZ — estava particularmente preocupado.
“Ele falou comigo sobre isso muitas vezes nos meses que antecederam a guerra”, relata o presidente Isaac Herzog, que mantém relações amistosas com bin Zayed. “Ele transmitia constantemente mensagens de que a situação precisava ser desescalada. Chegou até a enviar um emissário especial a Israel, que se reuniu com o primeiro-ministro. O emir parecia sentir que a região estava à beira de uma explosão.”
Bin Zayed também falava diretamente com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Essas conversas seguiam um procedimento padrão: um representante da embaixada dos Emirados ia ao gabinete do primeiro-ministro levando um aparelho telefônico especial que garantia a confidencialidade da ligação.
Mas, dessa vez, a ligação iniciada por bin Zayed foi incomum. Uma semana e meia antes de 7 de outubro de 2023, o governante emiradense ligou para Netanyahu do Palácio Presidencial em Abu Dhabi e conversou com ele durante 45 minutos.
Nessa conversa, bin Zayed advertiu que o líder do Hamas em Gaza, Yahya Sinwar, estava planejando uma grande operação contra Israel. Bin Zayed expressou preocupação de que o evento em questão não apenas provocaria derramamento de sangue, mas também desestabilizaria toda a região e enfraqueceria os Acordos de Abraão.
Três altas fontes estrangeiras estão familiarizadas com o conteúdo da conversa, cuja existência é revelada aqui pela primeira vez. Sua divulgação é resultado de uma extensa pesquisa baseada em dezenas de fontes em Israel e no mundo, incluindo autoridades de altíssimo escalão, além de gravações, documentos internos e correspondências. A pesquisa foi realizada para o novo livro Hostages: 843 Days of Abandonment (“Reféns: 843 Dias de Abandono”), publicado pela Kinneret Zmora, em hebraico, pelos autores deste artigo.
Também estava presente na ligação um assessor próximo de bin Zayed, um palestino que havia emigrado anos antes de Gaza para Abu Dhabi e mantinha fortes vínculos com a Faixa. Segundo esse assessor, o governante emiradense insistiu com Netanyahu sobre a necessidade de se preparar para a ameaça.
“O emir explicou que, em sua avaliação, Sinwar estava preparando um grande acontecimento”, afirma o assessor. “Ele disse a Netanyahu que Israel deveria estar preparado. Ao mesmo tempo, recomendou tentar encontrar uma solução econômica para Gaza e acalmar a Cisjordânia para evitar uma escalada.”
Bin Zayed instou Netanyahu a levar a situação a sério. Para sua surpresa, porém, o primeiro-ministro reagiu com relativa tranquilidade. Netanyahu afirmou que, em sua avaliação, o Hamas pretendia agir na Cisjordânia e assegurou a bin Zayed que Israel estava preparado para qualquer cenário.
Mais tarde, o governante emiradense relataria a conversa que teve com Netanyahu e o alerta que também transmitiu ao diretor da CIA, William J. Burns. Bin Zayed compartilhou com Burns a impressão que tentou transmitir a Netanyahu de que “algo ali está prestes a explodir” e disse que o primeiro-ministro israelense acreditava que a área mais volátil era, na verdade, a Cisjordânia.
“O emir esperava que, apesar de sua resposta reservada, Netanyahu levasse a mensagem a sério e tomasse providências”, afirma o assessor. “Nenhum de nós imaginava que o primeiro-ministro ouviria o aviso e não o transmitiria aos chefes do aparato de defesa.”
O chefe do Shin Bet, o chefe do Mossad e o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel — nenhum deles sabia do alerta de bin Zayed.
Para entender de onde veio esse aviso incomum, e por que chegou especificamente por meio do presidente dos Emirados, é preciso voltar aos acontecimentos dos meses anteriores.
Naquele período, com o conhecimento e aprovação de Netanyahu, Israel mantinha conversas com o Hamas sobre uma hudna — uma trégua temporária destinada a promover um acordo de longo prazo para Gaza.
Os contatos começaram secretamente no início de 2023, coincidindo com a ascensão do governo de extrema direita de Netanyahu. Sinwar encarregou Ghazi Hamad, membro do bureau político do Hamas, da missão. Hamad fala hebraico fluentemente e participou dos contatos secretos para a libertação do soldado sequestrado Gilad Shalit.
Ao mesmo tempo, foi recrutado um alto dirigente do Fatah, também fluente em hebraico. O dirigente, identificado aqui pelo pseudônimo “Olhos de Carvão”, era considerado uma figura confiável tanto pelo Hamas quanto pelo Shin Bet. Sua função era transmitir mensagens entre as partes para evitar a aparência de contatos diretos entre Hamas e Israel.
Na prática, porém, as conversas eram quase diretas. Ghazi Hamad e Olhos de Carvão reuniam-se na casa de Nasser Sarraj, em Gaza. Do lado israelense da linha estava Adi Rotem, oficial do Shin Bet responsável por reféns e desaparecidos.
Grande parte das discussões baseava-se em entendimentos previamente acertados entre Jerusalém e Cairo, já que a instabilidade em Gaza também poderia afetar o Egito. Contudo, segundo um integrante da equipe do Shin Bet envolvido nos preparativos das negociações, “todo esse canal direto foi ocultado dos egípcios, por receio de que se ofendessem por terem sido excluídos”, tornando-se “um canal pessoal cultivado por Netanyahu”.
As negociações concentravam-se inicialmente na flexibilização gradual do bloqueio a Gaza e no aumento da entrada de alimentos e matérias-primas. Também foi proposta a criação de zonas comerciais nas fronteiras com Israel e Egito, gerando milhares de empregos para os desempregados de Gaza.
Os egípcios mostraram-se dispostos a permitir uma “passagem segura” para moradores de Gaza rumo ao aeroporto de Sharm el-Sheikh, oferecendo-lhes uma abertura para o mundo exterior. Outra proposta previa o fornecimento de gás natural para Gaza a partir do campo marítimo Gaza Marine, descoberto em 2000 na costa do enclave. O projeto recebeu o nome de “G4G” — Gas for Gaza (“Gás para Gaza”).
No verão de 2023, parecia que todas as questões econômicas haviam sido resolvidas e restava apenas o tema mais sensível: a libertação dos prisioneiros israelenses e dos corpos de soldados mantidos em Gaza.
Em troca da devolução de Avera Mengistu, Hisham al-Sayed e dos corpos de Hadar Goldin e Oron Shaul, Sinwar exigiu inicialmente a libertação de 500 prisioneiros do Hamas. Depois reduziu o número para 250 e, após negociações difíceis, aceitou apenas 50.
O Shin Bet inclinava-se a aceitar a libertação de 30 presos, incluindo 20 condenados à prisão perpétua, escolhidos de uma lista considerada aceitável para Israel.
O clima era tão otimista que Olhos de Carvão relatava repetidamente que um acordo estava mais próximo do que nunca. Um dos dirigentes do Hamas envolvidos nas iniciativas afirma que ele saía das reuniões entusiasmado e dizia aos colegas: “Vai acontecer.”
Uma fonte de segurança israelense envolvida nos preparativos confirma que, “até o final de agosto de 2023, Netanyahu aprovou a libertação de 30 prisioneiros, incluindo 20 condenados à prisão perpétua, a serem escolhidos pelo Shin Bet”. Segundo ele, “tudo o que era necessário nesta etapa era a aprovação do comitê ministerial para reféns e pessoas desaparecidas, cujo consentimento é exigido para a libertação de prisioneiros, especialmente aqueles que cumprem pena de prisão perpétua”.
Mas Netanyahu adiou repetidamente a convocação do comitê ministerial responsável por aprovar a libertação dos presos. Talvez por receio de fechar um acordo com o Hamas. Talvez pelo medo da reação de seus parceiros extremistas de governo. Aos representantes do Shin Bet, que administravam o canal com o Hamas, ele dizia temer que a história vazasse para a mídia. “E assim tudo ficou travado semana após semana”, descreve a fonte.
Quando Sinwar começou a demonstrar sinais de insatisfação com a falta de progresso, Ghazi Hamad e Olhos de Carvão tentaram tranquilizá-lo, explicando que o atraso era consequência da preocupação de Netanyahu com a grande turbulência política que então se desenrolava em Israel — o avanço da reforma judicial e os protestos massivos que ela provocou.
Em meio à contínua convulsão interna israelense, cresceu dentro do eixo de resistência formado por Irã, Hamas e Hezbollah a percepção de que Israel havia se tornado muito mais vulnerável e que seria possível unificar frentes e lançar uma campanha coordenada para derrotá-lo. Documentos internos mostram que altos dirigentes do Hamas passaram, naquele período, a intensificar seus apelos ao Irã em busca de financiamento para um ataque.
Então, no início de setembro de 2023, Sinwar interrompeu abruptamente todos os contatos com a equipe de negociação. “Ele simplesmente desapareceu do nosso radar, evaporou”, afirma um alto funcionário do Shin Bet. Uma fonte do Hamas explica que Sinwar perdeu a paciência com o ritmo dos israelenses.
Assim, o canal direto estabelecido entre o oficial do Shin Bet Adi Rotem e o dirigente do Hamas Ghazi Hamad, administrado sob aprovação de Netanyahu, foi rompido. Curiosamente, esse canal voltaria a funcionar plenamente um ano após o 7 de outubro, em setembro de 2024, quando surgiu a necessidade urgente de retirar do impasse as negociações sobre os reféns.
Em setembro de 2023, pouco antes do ponto sem retorno, Sinwar organizou uma reunião privada com o dirigente do Fatah conhecido como Olhos de Carvão. “Diga aos israelenses que, se eles não avançarem, estou preparando uma enorme surpresa para eles”, declarou enfaticamente. Foi nesse momento que ele usou pela primeira vez uma palavra-chave que deveria ter disparado todos os alarmes: “Diga-lhes para esperar um zilzal”, um terremoto.
Olhos de Carvão saiu da conversa abalado. Decidiu consultar um amigo próximo — o mesmo palestino que havia emigrado de Gaza para Abu Dhabi e se tornara assessor de confiança de bin Zayed.
“Olhos de Carvão estava agitado”, relata o assessor. “Estava claro para ele que a operação da qual Sinwar falava poderia afetar todo o Oriente Médio, mas ele tinha medo de transmitir a informação diretamente ao Shin Bet. Por outro lado, tinha ainda mais medo de não avisar e depois ser acusado pelos israelenses de colaborar com Sinwar. Ele realmente temia por sua vida. Por isso decidiu transmitir a mensagem a bin Zayed.”
“O que isso significa?”, perguntou bin Zayed ao assessor. “Se ele fala em zilzal, ele quer dizer guerra”, respondeu. “Tem certeza?”, o emir perguntou. “Não. Essa é a minha interpretação. E também a interpretação de Olhos de Carvão.”
O governante emiradense refletiu sobre a questão. Estava preocupado com a possibilidade de que, em meio às tensões regionais, apenas o aviso de que o Hamas pretendia ir à guerra pudesse incendiar ainda mais a situação, talvez provocando um ataque preventivo israelense. Por fim decidiu: “Se não temos certeza, não transmitiremos nenhum alerta aos israelenses por enquanto. Vamos investigar a fundo até termos certeza.”
Para compreender a gravidade da ameaça, Olhos de Carvão recebeu a missão de encontrar Sinwar novamente em Gaza. A reunião ocorreu em meados de setembro de 2023. “Então?”, perguntou Sinwar. “Você transmitiu a mensagem aos israelenses?” “Não”, respondeu o intermediário. Sinwar respirou profundamente e, com uma voz assustadoramente calma, declarou: “Transmita a eles que estou preparando a mãe de todas as surpresas. Uma operação aterrorizante. Algo extraordinário.”
Mais uma vez pronunciou a palavra zilzal. “Por favor, transmita aos israelenses exatamente o que estou dizendo, palavra por palavra.” Olhos de Carvão telefonou imediatamente para o assessor de bin Zayed.
“Pedi todos os detalhes”, recorda o assessor. “Inclusive a linguagem corporal de Sinwar, seu tom exato de voz e o contexto em que pronunciou a palavra zilzal.”
“Pedi que ele deixasse Gaza rapidamente e viesse à minha casa para uma conversa privada. Ao final do encontro, compreendi que nem ele nem eu havíamos interpretado mal a mensagem: Sinwar pretendia ir à guerra.”
O assessor informou bin Zayed sobre suas conclusões. O governante emiradense compreendeu a magnitude da ameaça e decidiu que “a mensagem de Sinwar precisa ser transmitida aos israelenses, aos mais altos escalões, o mais rápido possível.”
Em 15 de setembro, Olhos de Carvão e o assessor transmitiram o alerta ao Shin Bet. O diretor da agência, Ronen Bar, solicitou imediatamente uma conversa telefônica com Netanyahu, organizada pelo secretário militar do primeiro-ministro, Avi Gil. Durante a ligação, Bar informou Netanyahu sobre as ameaças de “terremoto” feitas por Sinwar. Decidiu-se então convocar uma reunião de segurança envolvendo todos os órgãos relevantes.
“Por que Sinwar nos enviaria um aviso?”, pergunta hoje um alto oficial de inteligência. “Ou porque estava cansado da lentidão israelense e queria pressionar por um acordo sem realmente desejar uma guerra. Ou, como preferimos acreditar, tudo fazia parte do seu plano de ‘Grande Enganação’, e ele queria testar o nível de prontidão das Forças de Defesa de Israel.”
De qualquer forma, o aparato de segurança decidiu não correr riscos. A reunião ocorreu dois dias depois, em 17 de setembro, com a participação do ministro da Defesa, Yoav Gallant, e representantes da Inteligência Militar. Ao final do encontro, decidiu-se realizar ainda naquele mesmo dia uma nova reunião de trabalho no gabinete do primeiro-ministro. Representantes do Mossad e do Conselho de Segurança Nacional também foram convidados.
Segundo participantes da reunião, representantes do Shin Bet estimavam, com base em novas informações de inteligência, que Sinwar poderia estar tentando obter o controle da pesquisadora israelense Elizabeth Tsurkov, sequestrada no Iraque, para aumentar o número de prisioneiros palestinos que poderia exigir em uma troca.
Ronen Bar ressaltou que aquela era apenas uma avaliação preliminar e insistiu que o alerta deveria ser levado a sério, pois indicava que a capacidade de dissuasão de Israel estava se deteriorando e que “estávamos em rota de colisão”.
Bar recomendou um método operacional chamado “bomba corta-fogo” — codinome para um ataque poderoso e repentino destinado a neutralizar rapidamente uma grande ameaça — ou, pelo menos, a implementação de fortes medidas defensivas em Gaza e na Cisjordânia, especialmente em preparação para os feriados judaicos que se aproximavam. Nenhuma decisão foi tomada.
Ao perceber que Israel não estava reagindo ao alerta transmitido ao Shin Bet, bin Zayed decidiu conversar diretamente com Netanyahu. Foi então que ocorreu a longa conversa de 45 minutos, no fim de setembro, durante a qual transmitiu ao primeiro-ministro um aviso explícito sobre as intenções de Sinwar.
Naqueles mesmos dias, uma ligação semelhante chegou ao gabinete de Netanyahu vinda do chefe da inteligência egípcia, general Abbas Kamel. Segundo a jornalista Smadar Perry, Kamel alertou Netanyahu sobre “algo incomum, uma operação aterrorizante” que o Hamas estava prestes a lançar. Netanyahu respondeu: “em Gaza estamos por dentro da situação, temos o controle. Nosso problema é a Cisjordânia, e é para lá que estamos desviando forças.”
Em 1º de outubro, durante uma discussão sobre os protestos na fronteira de Gaza e sobre a identificação de intenções do Hamas de realizar um atentado na Cisjordânia, o chefe do Shin Bet voltou a recomendar ações contra dirigentes do Hamas, incluindo Sinwar, que, segundo ele, “estava demonstrando sinais de arrogância”.
Como em ocasiões anteriores nas quais a proposta foi apresentada, Netanyahu respondeu: “preparem planos para mim e eu os considerarei.”
“Ele nunca dizia ‘não’”, explica um alto funcionário da defesa. “Era sempre a forma dele de adiar o enfrentamento do problema.” Outro alto funcionário presente à reunião recorda que, ao encerrá-la, o primeiro-ministro afirmou: “continuem trabalhando na capacidade operacional, mas, por enquanto, acalmem a situação.”
Durante toda a reunião, Netanyahu não mencionou nenhuma das ligações de alerta que havia recebido.
“Se soubéssemos dos avisos, existe a possibilidade de que isso tivesse dado mais peso à primeira mensagem que recebemos de Sinwar”, afirma um alto funcionário do Shin Bet. “Talvez também tivesse esclarecido o que estava por trás de sua retirada repentina das negociações no início de setembro. É possível que tivéssemos ligado os pontos e chegado a uma conclusão completamente diferente, uma conclusão que poderia ter alterado toda a nossa avaliação da situação.”
As origens da complexa relação entre Netanyahu e Sinwar remontam a muitos anos antes, à libertação de Sinwar das prisões israelenses no acordo de troca de Gilad Shalit, em 2011. Após consolidar seu poder em Gaza, Sinwar começou a desenvolver uma estratégia de duas frentes para tirar o enclave de seu impasse.
“Desde cedo, talvez ainda na prisão, Sinwar tinha duas alternativas em mente”, afirma um alto oficial de inteligência que o acompanhou de perto naquela época.
“Por um lado, acelerou o desenvolvimento das capacidades militares do Hamas, transformando-o em um poderoso exército insurgente que se chocava repetidamente com Israel. Por outro, compreendeu que, em todas as rodadas de combate, Gaza acabava derrotada de forma decisiva. Por isso, apesar de todo o seu ódio por Israel, acreditava que valia a pena tentar chegar a um acordo que permitisse uma vida normal em Gaza antes de colocar o exército do Hamas em ação, caso o acordo fracassasse.”
Em 2017, Sinwar decidiu dar um passo surpreendente. Entrou em contato com seu rival histórico, Mohammed Dahlan, ex-dirigente do Fatah e então empresário influente. Os dois eram originários de Khan Yunis e se conheciam desde os tempos de universidade. A rivalidade entre ambos era antiga e profunda.
A tensão aumentou quando Dahlan, à frente das forças de segurança preventiva da Autoridade Palestina em Gaza, travou uma guerra aberta contra os líderes do Hamas. Após a tomada do poder pelo Hamas na Faixa, Dahlan passou a ocupar o topo da lista de alvos para assassinato.
Agora, porém, Sinwar acreditava que poderia utilizar os contatos que Dahlan mantinha tanto com o governo egípcio quanto com os serviços de segurança israelenses.
No verão de 2017, após quase quatro décadas de hostilidade, Sinwar encontrou-se com Dahlan em sua residência no Cairo. Participaram também outros dirigentes importantes do Hamas, incluindo Mohammed Deif, comandante da ala militar, e Moussa Abu Marzouk, membro do bureau político.
Sinwar descreveu a Dahlan o sofrimento vivido em Gaza e pediu que transmitisse mensagens a Netanyahu sobre seu desejo de alcançar um acordo satisfatório. Os pontos centrais eram a flexibilização do bloqueio e o fortalecimento da economia de Gaza, principalmente através da criação de empregos em larga escala.
Dahlan envolveu os egípcios no processo para mediar os contatos entre Sinwar e Netanyahu. A iniciativa acabou criando uma rede de relações indiretas de trabalho entre Israel e Hamas. Um vislumbre dessas negociações veio à tona em 2022, quando Meir Ben-Shabbat, então ex-chefe do Conselho de Segurança Nacional, revelou numa entrevista ao Yedioth Ahronoth uma mensagem que Sinwar havia escrito em hebraico e enviado a Netanyahu em 2018. A nota continha apenas duas palavras: “Risco calculado.”
“Aquilo foi um dos momentos mais bonitos do processo”, afirmou Ben-Shabbat. “Entendo disso que Sinwar acompanhava muito atentamente o que acontecia no lado israelense, analisava cada declaração dos políticos, compreendia os dilemas e procurava influenciá-los.”
Em agosto de 2018, as negociações avançaram a ponto de ser realizada uma reunião de altos funcionários israelenses na presença de Netanyahu. Foi apresentado um plano estruturado para um acordo que previa a devolução dos quatro israelenses mantidos em Gaza em troca de um cessar-fogo mútuo, aceitação de um entendimento mais amplo e flexibilização significativa do bloqueio.
A etapa seguinte dizia respeito à troca de prisioneiros. Em troca dos quatro israelenses, Israel libertaria prisioneiros do Hamas, incluindo alguns detidos durante a guerra de 2014, com exceção daqueles envolvidos em atividades consideradas particularmente graves.
O documento final da reunião advertia que “o adiamento de um acordo sobre cativos e desaparecidos, separando-o do processo de entendimento, pode levar ao adiamento da solução por muitos anos.” Altos responsáveis da defesa concluíram que aquele era o momento mais favorável para Israel alcançar um acordo a um custo razoável. Netanyahu encerrou a reunião comprometendo-se a tomar uma decisão. Mas o tempo passou. Segundo as fontes, Netanyahu começou a hesitar e a postergar repetidamente a aprovação do processo.
Por outro lado, quando os serviços de segurança identificavam atividade operacional excessiva do Hamas, Netanyahu se recusava repetidamente a autorizar uma operação militar de grande porte. “Isso já havia se tornado rotina”, relata um alto oficial. “Eles lançavam foguetes, nós respondíamos, havia uma rodada de combates, os moradores da região de Gaza ficavam exaustos e tudo custava muito dinheiro. O Exército queria lançar várias vezes uma operação ampla e profunda em Gaza, mas justamente o governo da pessoa que prometera antes das eleições ‘ser duro contra o Hamas’ insistia em não escalar a situação e em preservar diligentemente o ‘ativo’ chamado Hamas.” “Diziam-nos: ‘Acalmem-se. Precisamos concentrar-nos no norte e no Irã’.”
Um ex-general das Forças de Defesa de Israel afirma ter ouvido “mais de uma vez” o então chefe do Estado-Maior, Herzl Halevi, criticar a política de contenção de Netanyahu.
Segundo ele, Halevi costumava ilustrar a situação com uma metáfora: “É como ter um prego saindo da parede de casa e, em vez de arrancá-lo, reunir toda a família, inclusive as crianças, para dizer: ‘Toda vez que passarem por aqui, cuidado com o prego’. Quando decidimos viver com o prego, não percebemos que o resultado final seria que, em vez de removê-lo da parede, acabaríamos empalados nele.”
Então veio a pandemia de COVID-19.
Os contatos entre Hamas e Israel foram interrompidos. Israel passou a concentrar seus esforços nos problemas provocados pela pandemia e, simultaneamente, mergulhou em cinco eleições consecutivas. Enquanto isso, dentro do chamado eixo de resistência, começou a ganhar força uma nova ideia estratégica: a de que se aproximava o momento de desferir um golpe decisivo contra um Israel enfraquecido. Sinwar, por sua vez, continuou investindo enormes recursos no desenvolvimento da rede de túneis em Gaza e no treinamento e armamento das forças do Hamas para o que considerava o momento decisivo.
Quase três anos se passariam antes que esse momento chegasse. “Quando vocês estiverem lendo estas palavras, milhares de combatentes jihadistas das Brigadas Izz ad-Din al-Qassam estarão saindo para atacar alvos da ocupação sionista criminosa”, escreveram Sinwar, Mohammed Deif e Marwan Issa numa carta enviada ao Hezbollah na manhã de 7 de outubro, numa tentativa de convencer Hassan Nasrallah a aderir à operação. “Eles romperão a cerca de separação para enfrentar e combater as forças de ocupação, tomar posições militares e civis na região e capturar muitos soldados da ocupação.”
Às 6h29 da manhã de 7 de outubro, o zilzal chegou. Ao meio-dia, as redes sociais em Israel e no mundo inteiro já estavam inundadas com imagens da ação: ataques transmitidos ao vivo, incêndios e destruição. Dezenas de vídeos mostravam civis sendo levados para a Faixa de Gaza.
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Quando o gabinete de segurança israelense finalmente se reuniu, às 14h45, ainda não havia uma noção clara do número de pessoas sequestradas. “Neste momento temos 14 soldados e 28 reféns civis, além de dezenas de outras pessoas com quem não conseguimos estabelecer contato”, informou o chefe do Shin Bet.
O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, exigiu que a questão dos cativos fosse ignorada. “É impossível operar com esse tipo de mentalidade”, declarou.
O ministro da Defesa, Yoav Gallant, foi igualmente duro: “Instrui as Forças de Defesa de Israel: nenhuma negociação. Eles só falarão conosco quando estiverem no chão, com a cabeça debaixo d’água.”
Naquela mesma noite, informações cada vez mais alarmantes circulavam pelo mundo sobre o sequestro de centenas de homens, mulheres, crianças e idosos. Às 19h, o primeiro-ministro do Catar, xeique Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, telefonou para o diretor do Mossad, David Barnea.
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Os dois mantinham uma relação cordial. “Dedi Boy”, costumava chamá-lo o líder catariano. Al-Thani estava visivelmente abalado. “Acabei de conversar com Ismail Haniyeh e Khalil al-Hayya”, disse ele a Barnea. “Ameaçei-os explicitamente: se todos os reféns civis não forem libertados imediatamente, ordenarei pessoalmente sua expulsão do Catar.” “Quero informar que o Hamas está disposto a libertar todos os civis agora mesmo e estamos preparados para mediar.”
Segundo o relato da investigação, a resposta de Barnea surpreendeu o líder catariano. “Se eles querem libertar os civis, que os libertem”, respondeu. “Não estamos preparados para falar com o Hamas.” “Esses não são os israelenses que eu conheço”, teria comentado al-Thani a seus assessores. “Esse não é o Dedi Barnea que eu conheço.”
Os colaboradores de Barnea admitem que ele ouviu a proposta, mas afirmam que o Hamas a vinculava a exigências consideradas inaceitáveis, como a suspensão da operação militar israelense e novas concessões relativas ao Monte do Templo. O Catar nega essa versão. Segundo um assessor de al-Thani, “no primeiro dia, os líderes do Hamas não impuseram condições draconianas. Nossa ameaça era real e eles não estavam em posição de impor condições.”
Sem desistir, al-Thani telefonou ao secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken. “Há centenas de reféns em Gaza”, disse. “Entre eles, provavelmente dezenas de civis. Eles precisam ser libertados agora.” “Ofereci aos israelenses uma mediação rápida, mas eles não demonstraram interesse.”
Blinken respondeu que viajaria a Israel dentro de três dias. “Vamos esperar. Vou falar pessoalmente com Netanyahu.” Al-Thani insistiu: “O tempo é um fator crucial. Precisamos agir agora.” Blinken respondeu: “Neste momento a situação é complexa. Israel ainda está sob ataque e não há com quem conversar. Vamos esperar três dias.”
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A proposta de Sinwar para libertar civis
Na manhã seguinte, longe das conversas diplomáticas entre Doha e Tel Aviv, Rawhi Mushtaha, braço direito de Sinwar, entrou em contato com Samir Mashharawi, associado de Mohammed Dahlan.
Falando de Gaza, Mushtaha pediu ajuda para encontrar rapidamente um mediador capaz de avançar um acordo de cessar-fogo. Para reforçar a mensagem, acrescentou: “Nosso amigo está ouvindo”, referindo-se a Sinwar, que acompanhava a conversa. Mashharawi comunicou a ligação a Dahlan. Segundo seu relato, Dahlan respondeu: “Antes de mais nada, eles precisam libertar todos os civis, as crianças, os idosos e os bebês. Sem isso não há nada para conversar.”
“O que fizeram foi uma loucura. Não cruzaram uma linha vermelha. Cruzaram uma linha negra.”
“Se libertarem os civis, a opinião pública israelense sentirá que existe algo sobre o qual conversar. Caso contrário, que arquem com as consequências.”
Mashharawi transmitiu a mensagem ao Hamas. “Dê-me 24 horas e voltarei a falar com você”, respondeu Mushtaha. Surpreendentemente, ele retornou apenas uma hora depois. A mensagem era clara: Sinwar estava disposto a libertar todos os civis. Segundo Mashharawi, “ele me disse que, numa primeira etapa, não havia problema em libertar todos os civis sem receber nada em troca.”
“Juro que foram exatamente essas palavras: todos os civis, sem nada em troca. Havia apenas uma condição: que conseguíssemos trazer rapidamente um mediador aceito por ambas as partes para iniciar negociações sobre todo o restante — soldados, oficiais, prisioneiros palestinos e o bloqueio de Gaza.”
A resposta israelense
Dahlan acionou seus contatos no Shin Bet e transmitiu a proposta. Segundo Mashharawi, a resposta informal recebida foi: “Netanyahu não quer falar sobre nada. Ele só quer guerra e a eliminação do Hamas.” A percepção dominante em Israel, segundo ele, era: “primeiro eliminamos o Hamas. Depois recuperamos os reféns pela força.”
Um alto funcionário da defesa israelense admite que pelo menos parte dessas propostas chegou ao Mossad, ao Shin Bet e ao gabinete do primeiro-ministro. Contudo, afirma que o sistema político e militar estava em choque.”Para ser sincero”, diz a autoridade de alto escalão, “a questão dos reféns não estava seriamente na pauta naquela fase, e ninguém, nos níveis militar ou político, estava aberto a discutir a proposta. A libertação dos reféns sequer constava da lista de objetivos de guerra formulada pelo governo na noite de 7 de outubro.”
O mesmo alto funcionário da defesa reconhece que, em termos práticos, as propostas poderiam ter sido discutidas. “Poderíamos ter analisado seriamente a proposta e tomado uma decisão? Em termos substanciais, a resposta é sim.”
Mas o clima que prevalecia após 7 de outubro era outro. “A sensação era semelhante à de Pearl Harbor. Havíamos acabado de sofrer um golpe brutal. Estávamos em guerra. Quem tinha disposição para falar em interromper os combates e iniciar negociações naquele momento, mesmo que isso pudesse salvar dezenas de vidas?”
Enquanto isso, segundo Samir Mashharawi, o Hamas continuava aguardando uma resposta. Em 10 de outubro, Rawhi Mushtaha voltou a ligar. “Ele queria saber se já havia chegado uma resposta israelense à proposta”, relata Mashharawi. “Eu lhe disse que ainda estava esperando.”
Mashharawi afirma que insistiu várias vezes junto aos israelenses. “Esperei mais alguns dias por uma resposta e voltei a procurá-los, mas eles simplesmente não estavam em condições de conversar.” Enquanto isso, os bombardeios israelenses sobre Gaza se intensificavam rapidamente e o contato com Mushtaha e Sinwar tornou-se impossível.
Antony Blinken finalmente chegou a Israel seis dias após os ataques. Na quinta-feira, 12 de outubro, reuniu-se imediatamente com Netanyahu. No dia seguinte seguiu para Doha para conversar com o primeiro-ministro do Catar. “Levantei a questão da libertação dos reféns com Netanyahu”, relatou Blinken a al-Thani. “Mas não obtive dele uma resposta clara.” Então resumiu sua impressão numa frase: “Netanyahu ainda não está lá.”
Al-Thani reiterou sua avaliação de que, à medida que os dias passassem e os ataques israelenses em Gaza se tornassem mais intensos e letais, especialmente para a população civil, a disposição do Hamas para libertar reféns poderia desaparecer.
Blinken prometeu voltar a falar com Netanyahu. Em 14 de outubro, pouco depois de deixar Doha rumo a Washington, enviou uma mensagem de texto a al-Thani: “Netanyahu está pronto para que você faça a mediação. O diretor do Mossad chegará em breve.” No dia seguinte, oito dias após a primeira oferta de mediação do Catar, David Barnea desembarcou em Doha.
Segundo a investigação, nesse momento o preço exigido pelo Hamas já havia aumentado. Um alto funcionário do Shin Bet afirma que percebeu muito cedo para onde a situação caminhava. Ele recorda que, já em 18 de outubro, após os devastadores ataques israelenses dos primeiros dias da guerra, defendia a interrupção da ofensiva. “Deveríamos ter parado. Deveríamos ter engolido o orgulho, suportado o golpe político e libertado todos os prisioneiros exigidos pelo Hamas. Depois teríamos encontrado a primeira oportunidade para retomar a guerra.”
Segundo ele, “as primeiras horas e os primeiros dias após um sequestro são os mais críticos. À medida que os dias passam e a resposta militar aumenta, ambos os lados se entrincheiram em suas posições e o preço dos reféns sobe.”
“Tínhamos de agir também com astúcia.”
Mas, segundo o relato, quando a ideia chegou ao primeiro-ministro, Netanyahu respondeu: “No momento em que um estratagema vem à tona, ele deixa de ser um estratagema.” E o assunto morreu ali.
Sinais da disposição do Hamas para negociações mais flexíveis também chegaram ao coronel da reserva Doron Hadar, que durante muitos anos comandou a unidade de negociações do Estado-Maior israelense. “Comecei a receber mensagens, reunir informações e cruzar dados”, relata. “A situação começou a ficar clara.”
Segundo Hadar, o Hamas também estava abalado pelos acontecimentos e preocupado com o impacto internacional das imagens dos reféns. “Havia centenas de reféns, idosos, mulheres aterrorizadas e crianças chorando. O dano de imagem para o Hamas era enorme.” Na sua avaliação, era possível construir rapidamente uma estrutura de acordo. “Poderíamos ter fechado um entendimento e, se quiséssemos depois, não seria difícil alegar que o Hamas o violou e voltar a atacar.”
Por que “israel” bloqueia investigações da ONU sobre “estupros” do Hamas?
“Naturalmente, compreendo que nosso lado estava em choque e tomado pela raiva. Mas espera-se que uma liderança saiba separar emoções de racionalidade. Fazer um acordo com esse diabo e depois matá-lo.”
Em meados de outubro, Hadar participou de uma reunião no gabinete de Ophir Falk, assessor de política externa de Netanyahu. O objetivo era discutir a definição das metas da guerra. Hadar pediu a palavra. “Perguntei a Falk: você entende o que está acontecendo aqui?”, ele lembra. “Podemos trazer de volta as mulheres e as crianças agora. É uma troca um por um. Podemos iniciar esse movimento.”
Depois continuou, após pedir para os outros participantes deixarem a sala: “Vamos avançar num acordo. Ofereceremos mil prisioneiros. Dois mil, se necessário. O mundo está do nosso lado neste momento. Vamos usar essa pressão internacional e fechar um acordo.”
Segundo Hadar, Falk interrompeu a conversa. “Não haverá acordo”, disse Falk. “Isso é o Estado Islâmico. São assassinos. Não receberão nada. Mude sua forma de pensar, Doron.”
Ao refletir sobre os impasses que marcaram os anos seguintes de negociações, o ex-diretor da CIA, William Burns, oferece uma síntese do problema. “O problema fundamental era que o Hamas buscava um ‘fim permanente do conflito’, como eles o definiam.”
“Netanyahu estava disposto apenas a considerar um acordo de ‘primeira fase’, mas insistia em preservar a possibilidade de ‘continuar destruindo o Hamas depois’. Esse era sempre o desafio: como conciliar essas duas posições e conseguir trazer todos de volta?”
O resultado foi que Israel alterou profundamente sua abordagem em relação aos próprios cidadãos e soldados mantidos em cativeiro. Passaram-se mais dois anos de guerra antes que fosse assinado um acordo capaz de trazer de volta os últimos reféns de Gaza, vivos ou mortos. Quando isso ocorreu, o Hamas continuou de pé.
O gabinete de Benjamin Netanyahu classificou toda a investigação como uma “mentira absoluta”. Em nota, afirmou: “O primeiro-ministro Netanyahu não falou com o presidente dos Emirados Árabes Unidos durante o período em questão e não recebeu qualquer aviso dele.”
O ex-chefe do Shin Bet, Ronen Bar, e o ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Herzl Halevi, declararam que não haviam sido informados de qualquer alerta transmitido pelo presidente dos Emirados Árabes Unidos.
O Haaretz procurou Mohamed bin Zayed para comentar o conteúdo da reportagem, mas não recebeu resposta.
* Shlomi Eldar é um repórter israelense que trabalhou para o Channel 1 de Israel de 1990 a 2003 e para o News 10 de 2003 a 2012, cobrindo a situação em Gaza. Em 2007, recebeu o Prêmio Sokolov por sua cobertura em Gaza e em 2014 recebeu o prêmio de literatura militar Yitshak Sadeh por seu livro “Getting to Know Hamas”, além de ter recebido duas vezes o Prêmio Ophir de melhor documentário. Artigo publicado no Haaretz em 08/09/2026.
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