Guardas prisionais israelenses atiraram nove vezes em refém palestino

Hassan Salameh foi espancado e baleado dentro de sua cela, possivelmente com balas revestidas de borracha, depois que Ben-Gvir invadiu a prisão

05/11/2026

Um menino palestino segura uma imagem emoldurada de Hassan Salameh durante um protesto contra a lei israelense de pena de morte para palestinos, na Cidade de Gaza, em 31 de março (Reuters/Dawoud Abu Alkas).

Guardas prisionais israelenses atiraram e feriram o proeminente detido palestino Hassan Salameh nove vezes no mês passado, afirmaram sua noiva e uma organização de defesa dos direitos dos presos.

O ataque contra Salameh, de 55 anos, ocorreu depois que o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, invadiu sua cela e se filmou ameaçando matá-lo.

A Sociedade Palestina de Prisioneiros (PPS), que monitora as condições dos detidos palestinos, informou que recebeu informações sobre o ataque após uma visita de um advogado a Salameh na segunda-feira.

As informações fornecidas à organização e à noiva de Salameh, Ghufran Zamel, indicavam que ele havia sido brutalmente espancado e baleado nove vezes.

O tipo de munição utilizado e as circunstâncias exatas do tiroteio permanecem incertos.

Recentemente, os guardas prisionais israelenses intensificaram o uso de balas revestidas de borracha contra os presos, disparando contra eles a curta distância, dentro de suas celas.

Essa prática provocou ferimentos graves e danos potencialmente irreversíveis, segundo organizações de direitos humanos.

A PPS afirmou que as restrições impostas por israel às visitas às prisões impediram o advogado de obter mais detalhes.

“Isso levantou sérias preocupações sobre o destino do prisioneiro e ressalta a necessidade urgente de revelar as circunstâncias do incidente e garantir sua segurança física”, afirmou a organização.

Zamel disse à imprensa local que Salameh foi espancado antes da visita de Ben Gvir e depois que ele foi embora. Uma força israelense invadiu a cela, submetendo-o a um espancamento brutal, incluindo golpes no rosto, antes de disparar nove balas contra ele.

Três dias após o ataque, Salameh foi levado para que seus ferimentos fossem fotografados. Em seguida, foi devolvido à sua cela sem receber tratamento médico e recebeu apenas analgésicos, apesar dos ferimentos que havia sofrido, afirmou Zamel.

Segundo Zamel, a visita do advogado na segunda-feira confirmou que Salameh ainda sofria as consequências do ataque e permanecia em más condições de saúde. Ele apresentava sinais visíveis de exaustão.

A PPS afirmou que o ataque ocorreu em meio ao que descreveu como uma campanha contra proeminentes prisioneiros palestinos, que vai “além da repressão e da punição” e coloca suas vidas em risco.

“Os líderes dos prisioneiros estão enfrentando diversas formas de tortura física e psicológica, repressões sistemáticas e ameaças públicas de morte feitas pelo ministro da Segurança Nacional de extrema direita de israel, Itamar Ben Gvir”, afirmou a organização.

“A continuidade dessas políticas, juntamente com as restrições às visitas e a ausência de supervisão independente, abre caminho para novas violações e priva os prisioneiros até mesmo da proteção mais básica.”

Abusos em escalada

Nascido no campo de refugiados de Khan Younis, no sul de Gaza, em 1971, Salameh envolveu-se na resistência palestina contra a ocupação israelense após a eclosão da Primeira Intifada, em 1987.

Mais tarde, tornou-se uma figura de destaque no braço armado do Hamas, as Brigadas al-Qassam. Em 1996, israel o condenou por organizar vários atentados a bomba que mataram e feriram dezenas de israelenses.

Salameh afirmou que os ataques foram realizados em resposta ao assassinato, por israel, do fabricante de bombas do Hamas, Yahya Ayyash, no início daquele ano.

Ele foi condenado a 48 penas de prisão perpétua e passou um total de 14 anos em confinamento solitário desde sua prisão, há 30 anos.

Em setembro, Ben Gvir publicou um vídeo em que aparece na cela de Salameh, cercado por guardas de segurança, dizendo-lhe que queria “executá-lo”.

O ministro também prometeu garantir que prisioneiros como Salameh fossem “condenados à morte” caso se tornasse ministro da Defesa.

Os prisioneiros palestinos, particularmente figuras de destaque como Salameh, há muito enfrentam abusos por parte das autoridades penitenciárias israelenses.

No entanto, os relatos de abusos se intensificaram desde o início da guerra e do genocídio em Gaza, em outubro de 2023. Desde então, diversas organizações de direitos humanos acusaram as autoridades penitenciárias israelenses de praticar tortura generalizada, agressões físicas, violência sexual, privação de alimentos, negligência médica e humilhação dos prisioneiros.

No mês passado, a organização Médicos pelos Direitos Humanos de israel e o Comitê Público Contra a Tortura em israel afirmaram ter coletado 21 depoimentos que documentam o que descreveram como uma “prática perigosa”: guardas prisionais disparando balas revestidas de borracha contra presos a curta distância.

Em um dos incidentes, um guarda prisional israelense feriu gravemente um prisioneiro palestino ao disparar balas revestidas de borracha contra seu testículo. Seu testículo direito foi “completamente esmagado” e precisou ser removido cirurgicamente.

* Reportagem publicada no Middle East Eye em 03/11/2026.

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