Judeus dos EUA sabem que “israel” comete genocídio e crimes de guerra, mostra pesquisa do Washington Post

A maioria dos judeus estadunidenses diz que o regime sionista comete crimes de guerra — e metade dos jovens afirma que é genocídio —, apesar da lavagem cerebral permanente do lobby sionista.

06/10/2025

Judeus ortodoxos protestam em Nova Iorque contra o genocídio cometido por "israel". (Foto: AP)

Pesquisa de opinião do Washington Post publicada neste final de semana revela que 61% dos judeus estadunidenses afirmam que “israel” cometeu crimes de guerra em Gaza e cerca de 40% dizem que o país é culpado de genocídio contra os palestinos.

Os judeus estadunidenses estão particularmente descontentes com o atual governo israelense. Sessenta e oito por cento avaliam negativamente a liderança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, sendo que 48% a classificam como “péssima” — um aumento de 20 pontos percentuais em relação a uma pesquisa do Pew Research Center de cinco anos atrás.

Ainda, 48% desaprovam as ações militares do regime genocida em Gaza — enquanto 46% as aprovam. Entre a população geral dos Estados Unidos, apenas 32% aprovavam as ações de “israel” e 60% as desaprovavam, segundo uma pesquisa da Gallup de julho.

Muitos dos entrevistados pelo Post em conversas posteriores disseram que, no início, apoiaram a invasão militar israelense a Gaza. Mas, à medida que a guerra genocidária se prolongou, com relatos crescentes de atrocidades e poucos sinais de progresso, passaram a repudiar as ações da gangue de Tel Aviv.

O apoio do governo dos EUA a “israel” está no nível certo para 47%, mas 32% acham que os EUA são excessivamente favoráveis ao regime sionista. A parcela que acredita que os EUA apoiam demais “israel” cresceu 10 pontos desde 2020 e 21 pontos desde 2013, segundo pesquisas do Pew realizadas nesses anos.

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Max Parke, engenheiro de software no Brooklyn ouvido pelo jornal, disse que a maneira mais rápida de melhorar as condições em Gaza seria os EUA restringirem a ajuda a “israel” ou imporem condições a ela. “Os princípios judaicos dizem que precisamos respeitar a humanidade de todos”, afirmou. “Em Israel, isso não acontece; privilegia-se a judeidade em inúmeras políticas, sem seguir os princípios judaicos de fato.”

Entre os achados que o Post acredita ser dos mais impressionantes da pesquisa está o significativo percentual de judeus estadunidenses que sabem que “israel” está cometendo genocídio em Gaza.

Na pesquisa, os entrevistados foram informados de que a ONU define genocídio como “atos cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”. Questionados se achavam que o regime de Tel Aviv havia cometido genocídio em Gaza, 39% responderam que sim, 51% disseram que não e 10% não tinham opinião.

A pesquisa também revelou um divisor geracional. Enquanto 56% dos judeus estadunidenses em geral dizem sentir apego emocional a “israel”, entre os de 18 a 34 anos essa proporção cai para 36%. O número sobe progressivamente entre os mais velhos, chegando a 68% entre os maiores de 65. Os mais jovens também têm maior probabilidade de dizer que “israel” cometeu genocídio: 50% dos de 18 a 34 anos, contra cerca de 30% entre os mais velhos.

As visões sobre a carnificina que já matou oficialmente 67 mil palestinos também se dividem nitidamente por partidarismo, gênero e escolaridade. Mais de 8 em cada 10 republicanos judeus apoiam as ações militares de “israel” em Gaza, contra cerca de metade dos independentes e aproximadamente 3 em cada 10 democratas. Uma maioria de 56% dos homens aprova, enquanto 55% das mulheres judias desaprova. E, embora 54% dos judeus com ensino médio ou algum curso superior aprovem as ações criminosas, essa proporção cai para 47% entre os graduados e 36% entre os pós-graduados.

Outra descoberta que parece surpreendente é o percentual dos que sabem que os responsáveis pela perpetuação do genocídio são Tel Aviv e Washington. Perguntados quem é culpado pela continuação da “guerra” (nos termos do Washington Post), 91% disseram que o Hamas é responsável, 80% apontaram “israel”, 86% culparam Netanyahu e 61% responsabilizaram os EUA.

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Mas, à medida que se multiplicam os relatos de fome e desnutrição, 59% afirmam que “israel” não faz o suficiente para permitir a entrada de alimentos em Gaza.

E, para alguns judeus ouvidos pelo Post, “israel” perdeu qualquer pretensão de representar o povo judeu. Max Parke disse que passou a distinguir entre “israel” como nação, como terra e como Estado. “Como nação — o povo judeu no mundo —, é uma conexão que eu sinto”, afirmou. “Israel como lugar, como terra onde temos história, é uma conexão que posso ter. Mas Israel como Estado — mesmo que tenha o mesmo nome da terra e do povo — não fala por mim.”

A pesquisa do Washington Post foi realizada entre 2 e 9 de setembro, com uma amostra nacional aleatória de 815 judeus americanos, selecionados por meio do Painel de Opinião da SSRS, um painel contínuo formado por amostragem aleatória de domicílios nos EUA. A margem de erro é de 4,7 pontos percentuais.

A amostra inclui adultos que se identificam como judeus por religião e aqueles que se identificam como judeus por origem étnica, cultural ou familiar, mas sem afiliação religiosa — incluindo pessoas criadas como judias ou com pelo menos um dos pais judeu.

No total, 76% da amostra se identificaram como judeus por religião, e 24% como judeus sem filiação religiosa.

* Fepal, com o Washington Post.

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