Documentário brasileiro sobre genocídio palestino é premiado no Festival Internacional do Irã

"Notas sobre um Desterro" retrata a luta do povo palestino, com imagens históricas e filmadas pelas próprias vítimas do genocídio imposto por "israel" em Gaza

17/12/2025

Momento da premiação de "Notas sobre um Desterro", com o diretor Gustavo Castro ao fundo. (Foto: IRNA)

O documentário Notas sobre um Desterro, do diretor Gustavo Castro, foi premiado no 19º Festival Internacional de Cinema Documental do Irã, nesta terça-feira (16). Esse é o primeiro prêmio do documentário, que estreou este ano no Festival Internacional de Curitiba e foi exibido nos festivais de Havana e da Cidade do México, dentre outros.

A produção foi a vencedora do Prêmio Especial do Júri na categoria sobre o genocídio em Gaza.

“Eu e minha equipe estamos muito honrados com o prêmio”, disse Castro, em um vídeo exibido durante a premiação. A equipe não pôde comparecer presencialmente.

Eles dedicaram a vitória ao povo palestino. “Aproveito para dedicar esta conquista ao povo palestino, em especial aos que vivem em Gaza, aos mártires, médicos e jornalistas que, com grande coragem e determinação, denunciam o genocídio em curso. A luta palestina é uma luta de todos nós”, declarou o diretor.

Ao site da Fepal, Castro afirmou que a premiação no festival iraniano é muito significativa. “Este é o primeiro prêmio do filme, e é especialmente significativo que venha do Irã, país com uma tradição cinematográfica profunda e uma cena documental historicamente engajada com as lutas por memória, justiça e soberania”, disse.

“Esse reconhecimento estabelece um diálogo político e cultural que aproxima América Latina e Oriente Médio, territórios marcados por histórias de colonização, violência de Estado, exílio, apagamento e resistência, e reafirma a potência de um olhar latino-americano sobre a Palestina”, completa o diretor.

A competição dedicada à Palestina foi um dos destaques do festival, com filmes que buscam lançar luz sobre as lutas e aspirações do povo palestino. O festival deste ano também dedicou uma seção especial ao Irã para destacar a guerra imposta por “israel” contra o povo iraniano em meados de junho, oferecendo uma plataforma para discutir conflitos regionais recentes por meio da narrativa documental.

Entre os participantes, encontram-se cineastas de mais de 30 países, como Palestina, Líbano, Rússia, Estados Unidos, Reino Unido, França, Canadá, Dinamarca, Holanda, Itália, Austrália, Polônia, Irlanda, Colômbia, Áustria, Brasil, Chile, Argentina, Egito, Bélgica, Turquia, Sérvia, Grécia, Jordânia, Catar, Tunísia, Indonésia e Marrocos.

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Notas sobre um Desterro oferece uma narrativa contundente sobre a ocupação sionista da Palestina, a partir da perspectiva íntima de uma família palestina-brasileira da Cisjordânia, e de imagens registradas entre 2018 e o genocídio em Gaza iniciado em 7 de outubro de 2023.

O longa revisita registros audiovisuais feitos inicialmente para o projeto Coexistências, que pretendia investigar as possibilidades de convívio pacífico em uma terra marcada por décadas de colonização brutal. No entanto, a ofensiva de extermínio promovida por “israel” à Faixa de Gaza mudou completamente a natureza do projeto. A obra, que caminhava para ser um retrato de esperança, se tornou um grito de denúncia, reconfigurado como Notas sobre um Desterro.

A mudança de foco reflete também uma virada ética e política na forma de se fazer documentário em tempos de hiperconexão e espetacularização da dor. Em vez de recorrer a imagens produzidas por grandes veículos ou pelas forças em conflito, Notas sobre um Desterro se debruça sobre registros captados pelas vítimas palestinas — vídeos curtos, depoimentos caseiros, imagens tremidas de destruição, luto e resistência que circulam diariamente nas redes sociais, muitas vezes ignoradas ou descontextualizadas pelas mídias hegemônicas.

Com mais de 15 anos de atuação como educador popular e documentarista, Gustavo Castro construiu uma carreira voltada à abordagem de questões sociais, políticas e culturais na América Latina, Amazônia e Oriente Médio. Sua filmografia inclui mais de 30 obras documentais, entre elas A Fortaleza (2021), Afegãos no Brasil (2022) e Cidade ao Redor (2017), todas comprometidas com uma estética de proximidade e escuta ativa.

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