Soldados israelenses sequestram palestinos e os marcam como gado em suas testas

Tropas reúnem moradores palestinos perto de Qabatiya, na Cisjordânia, e os marcam com números antes de interrogá-los

18/08/2026

Ahmad al-Hathnawi fala à mídia local sobre ter sido marcado com números por soldados israelenses durante uma operação militar em Qabatiya, na Cisjordânia ocupada, em 17 de agosto de 2026 (@qudsn/X).

Soldados israelenses marcaram detidos palestinos com números em suas testas e braços durante uma incursão na Cisjordânia ocupada na segunda-feira.

Durante a operação em Qabatiya, perto de Jenin, as forças israelenses reuniram dezenas de moradores palestinos, vários dos quais foram marcados com números em suas testas e braços.

Ahmad al-Hathnawi, que foi marcado com o número 44 na testa, disse que pelo menos 50 pessoas foram detidas, incluindo mulheres.

“Esta é a primeira vez que colocam esses números em mim”, disse Hathnawi, que já havia sido preso quatro vezes anteriormente, à mídia local.

Ele afirmou que os soldados o levaram, juntamente com outras pessoas, para interrogatório durante a operação.

“Ele estava fazendo perguntas gerais e dizendo que não queremos problemas se colonos vierem para cá e assim por diante”, disse Hathnawi.

“Eles estão basicamente tentando transmitir a mensagem de que, se os colonos entrarem na área, não haverá problemas, e que os colonos vão permanecer aqui por muito tempo.”

Hathnawi afirmou que os interrogatórios tinham como objetivo aterrorizar as famílias e dissuadi-las de resistir à expansão dos assentamentos ao redor de Jenin.

O Exército israelense confirmou que os soldados haviam marcado os detidos com números, afirmando que “lições foram aprendidas”, segundo a mídia israelense.

O Exército fez comentários semelhantes em abril, depois que mulheres palestinas de Jenin foram marcadas com números em seus braços.

Em 2024, soldados israelenses também marcaram um grupo de detidos palestinos de Hebron com números em suas testas.

Uma história que se repete

Em outubro daquele ano, um ano após o início do genocídio em Gaza, soldados israelenses voltaram a assaltar a cidade de Dura, na Cisjordânia. Palestinos foram detidos, vendados, algemados, insultados e mantidos em condições desumanas. O que houve de mais incomum foi que cada homem teve um número escrito em sua testa.

Osama Shaheen, que havia sido libertado em agosto de 2024 após 10 meses de detenção administrativa, disse ao Middle East Eye que os soldados invadiram brutalmente sua casa, destruindo seus móveis e voltando a prendê-lo.

Osama Shaheen afirma que foi espancado por soldados enquanto eles saqueavam sua casa e o detinham (MEE/Mosab Shawer).

Eles o levaram para um veículo militar, vendaram seus olhos, algemaram suas mãos e o colocaram junto com outros detidos na casa de Nayef Rjoub, ex-membro do parlamento da Autoridade Palestina, o Conselho Legislativo Palestino.

“Fui interrogado violentamente e espancado em várias partes do corpo, especialmente na cabeça e no peito”, disse Shaheen.

“Os soldados nos transformaram de nomes em números, e cada detido tinha um número que eles usavam para provocá-lo durante sua prisão e chamá-lo pelo número em vez do nome. Para eles, somos apenas números.”

Ayed Dudin, um paramédico que havia sido libertado de uma prisão israelense, disse que os soldados também invadiram sua casa, causando destruição. No entanto, Dudin estava fora, prestando atendimento médico às pessoas feridas pela operação, então os israelenses levaram seu filho Mohammed em seu lugar.

“Recebi uma ligação de um oficial do Exército israelense que me pediu para me entregar para que meu filho fosse libertado. Embora eu tenha ido fazer isso, eles não libertaram Mohammad e o mantiveram detido comigo”, disse Dudin ao Middle East Eye.

Dudin afirmou que também foi submetido a espancamentos e abusos enquanto estava detido na casa de Rjoub, sobre a qual os soldados, de forma provocativa, hastearam uma bandeira israelense.

Ele também teve um número escrito na testa.

Marcando mulheres nos braços

As forças israelenses marcaram mulheres palestinas com números nas mãos antes de permitir que elas entrassem brevemente e verificassem suas casas em 13 de abril (Instagram/@raya.orouq/captura de tela).

Em meados de abril, as forças israelenses já haviam marcarado dezenas de mulheres palestinas com números em suas mãos. O caso ocorreu durante a invasão ao campo de refugiados de Jenin.

As tropas permitiram que cerca de 120 mulheres entrassem no campo para inspecionar suas casas e recuperar pertences, sob rígidas medidas de segurança.

As mulheres, juntamente com quase 40 mil palestinos, foram expulsas à força pelas forças israelenses de Jenin e de outros campos no norte da Cisjordânia após uma ofensiva militar iniciada em janeiro de 2025.

As 120 mulheres tiveram permissão para entrar no campo por menos de duas horas, grande parte desse tempo gasto em revistas e esperando sob intensa vigilância militar, enquanto seguiam rotas predeterminadas.

Durante as revistas antes da entrada, os soldados escreveram números e letras nas mãos das mulheres para categorizá-las.

“Eles numeraram nossas mãos de acordo com o bairro onde nossas casas estão localizadas”, disse à época Um Fadi Wahdan, uma das mulheres, ao Middle East Eye.

Ela e outras mulheres disseram que chegaram à entrada do campo após serem informadas de que poderiam entrar pela manhã, apenas para enfrentar longas revistas e assédio.

Os soldados as obrigaram a permanecer sob o sol por três horas e alteraram deliberadamente as marcações dos bairros, atrasando ainda mais a entrada, afirmou Wahdan.

* Fepal, com Middle East Eye.

Notícias em destaque

21/08/2026

A fome imposta por “israel” em Gaza deixa crianças com crescimento comprometido

Por Nada Nabil* Em um pequeno cômodo no bairro de Sabra, na Cidade de Gaza, [...]

LER MATÉRIA
19/08/2026

“israel” admite ter disparado contra o carro onde estava a menina Hind Rajab, metralhada em Gaza

Por Antonio Pitta* O exército israelense anunciou nesta quarta-feira que [...]

LER MATÉRIA
18/08/2026

Soldados israelenses sequestram palestinos e os marcam como gado em suas testas

Soldados israelenses marcaram detidos palestinos com números em suas testas [...]

LER MATÉRIA
17/08/2026

Como um simples isqueiro se tornou a espinha dorsal da vida em Gaza

Por Maram Humaid* Rabab Deifallah está sentada dentro de sua tenda, [...]

LER MATÉRIA
14/08/2026

Em aldeia da Cisjordânia, nova ordem israelense permite ataques de “colonos” enquanto afirma impedi-los

Por Sharif Abdel Kouddous* No domingo, o Exército israelense declarou a [...]

LER MATÉRIA
12/08/2026

O sofrimento das crianças autistas de Gaza diante da destruição causada por “israel”

Por Enas Abu Ghayad* Em meio aos escombros de Khan Yunis, Ahmed Hatem [...]

LER MATÉRIA