Crise na Ucrânia leva 12 mil judeus para mais colonização na Palestina

18/03/2022

Ao passo em que estimula imigração de judeus ucranianos para os territórios ocupados, governo israelense tem negado a entrada de não judeus

Já são quase 12 mil os ucranianos judeus que chegaram a Israel desde que eclodiu o conflito armado entre Rússia e Ucrânia, há três semanas. E este número parece que não para de crescer. O governo israelense, que tem máximo interesse na imigração de judeus de todo o mundo para seguir sua luta pela ocupação da Palestina e sua guerra demográfica contra o povo palestino, para ter maioria judaica, comemora. No último levantamento, de 17 de março, eram exatos 11.390 ucranianos chegados a Israel, com 258 que tiveram suas entradas recusadas.

Para Israel, o maior “desafio” seria o de “acomodar as massas de novos imigrantes que vêm aqui”. Esta “acomodação” sempre se deu pela tomada de terras aos palestinos, por meios bélicos, e nelas acomodar estrangeiros professantes do judaísmo, importados para um projeto cruel de colonização e implantação de um regime de apartheid, de supremacia judaica sobre não judeus.

Israel se fez à base de imigrantes estrangeiros, trazidos para a Palestina especialmente a partir dos anos 1920, sob as armas e o poderia colonial britânico, então ocupante da Palestina. A maioria destes estrangeiros veio do chamado leste europeu, especialmente de Ucrânia, Rússia e Polônia.

Este processo nunca cessou. Com o fim da União Soviética, no início dos 1990, Israel novamente comemorou a chegada de centenas de milhares de novos colonos para seu projeto de judaização da Palestina. Estes são, basicamente, os residentes na maior parte dos assentamentos na Cisjordânia, os mais extremistas e violentos, responsáveis por assassinatos de civis palestinos, invasões e destruições de cultivos de agricultores palestinos e invasões e depredações de patrimônios públicos e privados, como escolas palestinas, mesquitas e igrejas.

Nas palavras do embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, “resulta que pagamos o preço de todos os conflitos desde 1914 até o momento”. Ele faz referência ao processo iniciado com o final da primeira guerra mundial, quando o Império Otomano é derrotado e os ingleses tomam a Palestina e iniciam a construção nela de uma futura entidade exclusivamente judaica, que vem a ser hoje Israel.

O mesmo se deu como consequência da segunda guerra mundial, quando o povo palestino pagou pelos crimes cometidos na Europa contra seus cidadãos judeus. E depois os judeus vieram de outras partes do mundo, seja por guerras, seja por crises sociais ou econômicas, como as que afetaram, por exemplo, a União Soviética e seu entorno, o chamado Leste Europeu, ou a Argentina, que em diversos momentos, desde os 1980, passou por graves crises econômicas.

Em todos estes eventos, massas judaicas empobrecidas eram capturadas em seus imaginários para migrarem a Israel e seus translados eram organizados por Israel e suas agências. E sempre foram os palestinos que pagaram o preço, tendo terras confiscadas, água roubada, plantações destruídas, tudo para fixar em seus lugares os novos imigrantes, os novos colonizadores.

Este processo se repete agora. Israel se aproveita destas crises para trazer mais e mais colonos. O projeto sionista é beneficiário direto destes processos, ao ponto de deseja-los, quiçá estimula-los.

* Com informações de akka.ps

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