Nem as crianças, nem as mulheres: 76% dos israelenses acham que ninguém é inocente em Gaza
Para a população israelense, nenhuma das vítimas do genocídio cometido por "israel" merece compaixão, mesmo que quase metade dos mortos seja de mulheres e crianças
Um homem carrega o corpo de um menino palestino, que foi morto enquanto fugia de sua casa, no bairro Saftawy de Jabalia, em 26 de agosto de 2025 (Bashar Taleb/AFP).
Por Alex MacDonald*
Uma pesquisa conduzida por uma organização israelense revelou que a grande maioria dos judeus israelenses acredita que “não há inocentes” na Faixa de Gaza.
A aChord, um grupo de pesquisa ligado à Universidade Hebraica e especializado em psicologia social, afirmou que 76% do público judeu concorda parcial ou totalmente que “não há inocentes em Gaza”.
A pesquisa constatou que mesmo entre os eleitores da oposição israelense, 47% apoiaram totalmente a afirmação, enquanto, entre os eleitores judeus da oposição, a maioria também concorda com a declaração.
O pesquisador Ron Gerlitz descreveu os resultados da pesquisa como “achados difíceis”, que indicam atitudes que alimentam a aceitação do genocídio em curso de Israel em Gaza.
“Esses resultados podem, é claro, lançar luz sobre o enorme número de civis palestinos mortos na guerra em Gaza”, escreveu ele no X.
“É importante para mim escrever que concordar com ‘não há inocentes’ não é o mesmo que ‘precisamos matar todos lá’. Não é a mesma coisa. Mas a consciência de que ‘não há inocentes’ é o solo tóxico que alimenta dinâmicas e ações que levam à morte de inocentes.”
Oito em dez palestinos assassinados em Gaza são civis, segundo base de dados do exército de “israel”
O sentimento anti-palestino e anti-árabe em Israel vem crescendo nos últimos anos, tendo como alvo tanto os palestinos nos territórios ocupados quanto os cidadãos palestinos de Israel.
Na semana passada, um motorista palestino de ônibus em Israel foi atacado por um grupo de jovens judeus que gritavam “morte aos árabes”, no mais recente episódio de uma série de ataques racistas contra cidadãos palestinos de Israel.
A agressão ocorreu em Petah Tikva, no centro de Israel, no sábado, segundo reportagem do site de notícias israelense Ynet.
De acordo com imagens do ataque que circulam online, um dos jovens quebrou um vidro interno do ônibus com um martelo de emergência, ao lado de uma mulher que segurava um bebê. Em seguida, ele quebrou uma das portas do veículo.
O motorista do ônibus, Mohammed Abd al-Hadi, disse ao Ynet que o incidente ocorreu depois que pediu aos jovens passageiros que parassem de gritar e vandalizar o veículo.
“Eles me insultaram e gritaram frases racistas como ‘Judeu – bom; Árabe – filho da puta’ e ‘morte aos árabes’”, contou.
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Outro ataque ocorreu em maio, quando torcedores do Beitar Jerusalém, um time de futebol ligado à extrema direita israelense, agrediram dois motoristas palestinos em Jerusalém após a derrota de sua equipe na final do campeonato israelense.
Ahmad Kara’in, um dos motoristas atacados, precisou de atendimento médico em decorrência da agressão. Ele disse ao canal público israelense Kan 11 que 150 torcedores o espancaram, atacaram com gás e furaram os pneus de seu veículo, tudo enquanto gritavam “morte aos árabes”.
A Abraham Initiatives, uma organização que busca promover a igualdade de direitos para os cidadãos palestinos em Israel, disse ao Middle East Eye que os incidentes “não são exceção”, mas sim “parte de uma onda perigosa de violência e racismo contra os cidadãos árabes de Israel”.
“Essa violência é resultado direto da incitação contínua e da falta de ação do governo, que permite que os agressores levantem a mão contra pessoas apenas por causa de sua origem”, afirmou o grupo.
* Repórter do Middle East Eye; já fez coberturas no Iraque, Turquia, Catar e Bósnia. Reportagem publicada em 26/08/2025 no MEE.
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