Uma centena de funcionários acusa a BBC de ser órgão de “relações públicas de Israel”

A carta afirma que os criadores de conteúdo da corporação "sofreram censura em nome da imparcialidade" quando tentam produzir material crítico a "israel", o que não ocorre quando a direção do canal veicula programas em defesa do genocídio

10/07/2025

Protesto popular contra o genocídio em Gaza denuncia a cobertura enviesada da BBC no Reino Unido

Por Jake Kanter*

Mais de 100 funcionários da BBC escreveram ao diretor-geral Tim Davie para reclamar sobre a empresa se tornar porta-voz de Israel.

A carta aberta, assinada por mais 300 profissionais de mídia, incluindo Miriam Margolyes, Charles Dance e Mike Leigh, representa um agravamento da crise que assola a BBC em relação à sua cobertura da guerra em Gaza. Ela surge após a repulsa generalizada contra a banda punk Bob Vylan, que entoou “morte às Forças de Defesa de Israel” em uma transmissão ao vivo pelo iPlayer, e que promoveu o Festival de Glastonbury.

A carta criticou duramente a BBC por sua suposta falha em refletir a realidade da situação em Gaza e argumentou que as reportagens “ficam aquém” dos padrões editoriais. “Com muita frequência, a BBC tem a impressão de que está fazendo relações públicas para o governo e o exército israelenses. Isso deveria ser motivo de grande vergonha e preocupação para todos na BBC”, afirma a carta.

Escândalo mundial: editor da BBC é colaborador da CIA e do Mossad

A BBC acolheu discussões sólidas entre as equipes editoriais e disse que está “totalmente comprometida em cobrir o conflito de forma imparcial”.

Dirigida a Davie e ao conselho da BBC, a carta afirma que os criadores de conteúdo da corporação “sofreram censura em nome da imparcialidade”. Afirma que alguns membros da empresa foram “acusados de ter uma agenda por terem publicado notícias críticas ao governo israelense em suas redes sociais”.

Os signatários questionaram a decisão da BBC de cancelar o documentário “Gaza: Médicos Sob Ataque”, apesar de sua transmissão ter sido aprovada por figuras importantes da política editorial. A BBC afirmou que o filme, que desde então foi adquirido pelo Channel 4, não passou pelos “processos finais de aprovação pré-transmissão” e corria o risco de “criar uma percepção de parcialidade”.

Editores da BBC e do Guardian realizaram reuniões privadas com general “israelense” para promover o genocídio

A corporação não chegou a explicar o motivo dessa percepção, mas fontes disseram que se deveu a comentários feitos por cineastas envolvidos no projeto. Isso incluiu a jornalista Ramita Navai descrevendo Israel como “um Estado desonesto que está cometendo crimes de guerra, limpeza étnica e assassinatos em massa de palestinos”.

“Isso parece ser uma decisão política e não reflete o jornalismo apresentado no filme”, continua a carta. “Isso ilustra precisamente o que muitos de nós vivenciamos em primeira mão: uma organização que é prejudicada pelo medo de ser vista como crítica ao governo israelense”.

A carta acrescentou que a posição de Robbie Gibb no conselho da BBC é “insustentável” devido às suas ligações com o Jewish Chronicle, que, segundo a carta, publicou “conteúdo antipalestino e frequentemente racista”.

Como dois dos maiores veículos de comunicação do mundo são cúmplices do genocídio em Gaza

A carta alegava que o conselho da BBC, e portanto Gibb, teve influência na decisão de não exibir “Gaza: Médicos Sob Ataque”. A posição da BBC é que o Comitê de Diretrizes e Padrões Editoriais do conselho não teve qualquer influência na decisão de abandonar o documentário. A carta aberta não apresentou evidências de que Gibb tenha resistido a “Médicos Sob Ataque” ou interferido em qualquer outra produção sobre Gaza.

Um porta-voz da BBC disse: “Discussões sólidas entre nossas equipes editoriais sobre nosso jornalismo são uma parte essencial do processo editorial. Temos discussões contínuas sobre a cobertura e ouvimos o feedback da equipe, e acreditamos que essas conversas são melhor conduzidas internamente.”

“Em relação à nossa cobertura de Gaza, a BBC está totalmente comprometida em cobrir o conflito com imparcialidade e tem produzido uma cobertura contundente da região. Além de notícias de última hora, análises em andamento e investigações, produzimos documentários premiados como ‘Vida e Morte em Gaza’ e ‘Gaza 101′”, continuou a emissora.

Outros signatários da carta incluem Juliet Stevenson, Zawe Ashton e Aiysha Hart.

* Reportagem publicada pelo portal Deadline em 01/07/2025.

Notícias em destaque

13/02/2026

Influenciador palestino passou mais de dois anos nas masmorras israelenses por postagens nas redes sociais

Por Baker Zoubi e Oren Ziv* No Instagram, hoje em dia, Abdel Rahim Haj [...]

LER MATÉRIA
12/02/2026

Palestinos que vivem ao longo da “Linha Amarela” enfrentam ataques israelenses diários

Por Ahmed Dremly e Ahmed Alsammak* Todas as noites, Hamed adormece sabendo [...]

LER MATÉRIA
11/02/2026

“israel” usou armas em Gaza que fizeram milhares de palestinos evaporarem

Por Mohammad Mansour* Ao amanhecer de 10 de agosto de 2024, Yasmin Mahani [...]

LER MATÉRIA
10/02/2026

Na Cisjordânia, o vinho a serviço da colonização

Por Meriem Laribi e Marta Vidal* As fileiras de vinhas recém-plantadas [...]

LER MATÉRIA
06/02/2026

Google forneceu IA para o aparato militar israelense em meio ao genocídio em Gaza

Por Gerrit De Vynck* O Google violou, em 2024, suas próprias políticas que [...]

LER MATÉRIA
05/02/2026

Epstein, Mossad e a pergunta que não podemos fazer — mas devemos

Por Rares Cocilnau* A divulgação mais recente de documentos ligados a [...]

LER MATÉRIA