“Ser palestino é um motivo de muito orgulho”, diz brasileiro convocado para a seleção palestina
À Fepal, goleiro opina que o esporte é um instrumento fundamental para levar um pouco de alegria e bem-estar a um povo que tem sofrido deslocamento forçado, genocídio e apartheid durante décadas.
Diogo Lourenço Samara tem 19 anos e se tornou o primeiro brasileiro a ser convocado para a seleção da Palestina, por ser neto de palestino. (Foto: Reprodução)
Diogo Lourenço Samara fez história e manchetes na crônica esportiva ao se tornar o primeiro brasileiro a ser convocado para a seleção de futebol da Palestina. O goleiro de 19 anos foi selecionado para disputar um campeonato pela equipe sub-20 no Kuwait, mas infelizmente não chegou a viajar porque a competição foi suspensa devido à agressão criminosa de Estados Unidos e “israel” ao Irã.
De qualquer forma, ele sabe que terá novas oportunidades de defender a seleção da terra de seus ancestrais. O avô materno de Diogo, Abdelrahman Samara, deixou Zawiya, um vilarejo próximo a Jenin, alguns anos após a Nakba e chegou ao Brasil por volta de 1960. Ele veio sozinho, estabeleceu-se em São Lourenço do Sul (RS), abriu uma loja e todo o lucro enviava para sua família.
Por ser neto de palestino, Diogo sempre sonhou em jogar pela seleção nacional. Desde os 15 anos ele acompanha o futebol palestino pelas redes sociais e mantém contato com dirigentes da federação local. Nas categorias de base dos clubes pelos quais passou – entre eles Internacional, Sport Recife e Portuguesa –, o jogador chamou a atenção do treinador da seleção palestina.
“Sempre pensei em jogar pela seleção palestina. Meus tios queriam ser jogadores de futebol e representar a seleção da Palestina, mas nunca tiveram a oportunidade. Isso me incentivou”, conta ele ao site da Fepal. Seu pai foi jogador e também o inspirou a seguir carreira. “No final do ano passado, me pediram os documentos que comprovassem que eu tenho origem palestina. Enviei, fui aprovado e me convocaram.”
Em 2025, Diogo subiu para a equipe profissional do Pelotas (RS) e, desde março deste ano, compõe o elenco principal do Azuriz (PR), onde iniciou a disputa do Campeonato Brasileiro – Série D. Ele ainda poderá representar o time sub-20 da Palestina até o final de 2027, quando então deverá ser convocado para a seleção adulta.
“Eu não represento apenas a mim quando sou convocado para a seleção da Palestina. Eu represento todo um povo. É uma responsabilidade e um motivo de muito orgulho”, opina a jovem revelação, que pensa que o esporte é um instrumento fundamental para levar um pouco de alegria e bem-estar a um povo que tem sofrido deslocamento forçado, genocídio e apartheid durante décadas.
“Meu sonho é visitar a Palestina e conhecer a terra do meu avô”, diz ele, que nunca viajou para a Palestina – ao contrário de sua mãe, que já esteve no país. Diogo acredita que organizações como a Fepal cumprem um importante papel na difusão da história, da cultura e da realidade da Palestina no Brasil. “São importantes para conscientizar as pessoas”, afirma.
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