Estamos em guerra fria, o apartheid sionista fala em “mundo livre”
Comentário acerca do bombardeio dos B2 estadunidenses contra as instalações nucleares do Irã
Instalações do programa nuclear pacífico do Irã sob a montanha de Fordow. (Foto de satélite)
Por Bruno Lima Rocha*
No sábado à noite, 21 de junho (por volta de 21.30, fuso horário de Brasília), o mundo viu aterrorizado a alegação de um bombardeio dos EUA contra instalações nucleares iranianas. Teriam sido atingidas a montanha de Fordow, e as plantas de Isfahan e Natanz. Curioso ataque. As duas últimas já haviam sido atingidas pelos caças sionistas e a montanha-fortaleza está intacta conforme demonstrado em fotos de satélites.
Tampouco se verifica radiação ou ambiente contaminado no entorno das indústrias nucleares. Logo, houve de fato um bombardeio? Mais, se as autoridades do Irã afirmam terem esvaziado de material sensível os locais, o ataque dos EUA foi um jogo de cena para satisfazer uma elite política rachada, entre isolacionismo reacionário (MAGA) e o jogo imperial de sempre (falcões bipartidários). O Donald Trump de sempre, na estatura moral de um gerente de cassino com roleta viciada, deixa o seu país e o Sistema Internacional literalmente atordoados.
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Ao mesmo tempo, o imbecil adiante do Império Decadente e Perigoso chama atenção para a sua péssima capacidade de tomar decisões e muitas vezes baseado na sua própria necessidade de ser o centro das atenções mundiais. Gastaram bilhões de dólares num ataque inepto, atenderam os desejos de um criminoso de guerra e de lesa humanidade (Netanyahu e sua corja) e agora forçam uma situação em que o Irã será obrigado a retaliar algum objetivo controlado pelos Estados Unidos na região. Se vale o consolo, só de pessoal militar passa de 40.000 efetivos em bases militares estadunidenses no Oeste da Ásia. Alvos não faltam….
Mas, e a “Guerra Fria”?
Esta se manifesta no avanço de um bloco, mais econômico do que diplomático e ainda distante de uma aliança militar comum. Ainda há alguma chance de avançar na cooperação estratégica. Se a lógica de complementaridade e uma condição leal no jogo entre os Estados, como o Irã apoia o esforço de guerra da Rússia contra a aliança da OTAN com Kiev, se espera no mínimo alguma reciprocidade. Outro caminho é através da China tentar garantir um corredor de abastecimento de armas via Paquistão e, ao mesmo tempo, assegurar o fluxo de petróleo a um preço bem baixo que vem do Irã como seu principal fornecedor.
OTAN e Estados Unidos estão com guerras por procuração, sendo que Washington também patrocina um genocídio contra uma população originária na Palestina Ocupada. Esta década pode entrar na sua segunda metade com uma crise do petróleo provocada pelos ataques sionistas (e o possível fechamento do Estreito de Ormuz) e acelerar os tempos da integração asiática e eurasiática também em termos militares.
A retórica do “mundo livre” voltou e trouxe com essa estupidez o risco de que a “liberdade de atacar qualquer país ao contar com o apoio dos Estados Unidos” force mais Estados soberanos a buscar desenvolver seu programa nuclear e assim, evitar ser bombardeado por criminosos de guerra.
* Jornalista, cientista político e professor de Relações Internacionais
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